“Reign in Blood” dos Slayer: qual será a faixa menos consensual do álbum?
Poucos discos definem o thrash metal com a mesma contundência de “Reign in Blood”, dos Slayer. Editado em plena ascensão do género, o álbum tornou-se rapidamente uma referência incontornável, aclamado por críticos e fãs pela forma como condensa velocidade, agressividade e uma sucessão de riffs que ficaram gravados na memória colectiva do metal.
É precisamente por essa razão que qualquer tentativa de hierarquizar as suas faixas gera debate. Estamos a falar de um trabalho que, do princípio ao fim, mantém uma intensidade quase sufocante, sem espaço para pausas ou momentos de respiro. Cada tema parece encadear-se no seguinte com a mesma urgência, transformando a audição numa experiência avassaladora que raramente encontra paralelo em discos da mesma época.
Foi este exercício que a publicação especializada Metal Hammer decidiu levar a cabo, ordenando as canções do álbum e apontando aquela que, na sua perspectiva, ficaria no último lugar dessa lista. A escolha, como seria de esperar, revela mais sobre a exigência de quem avalia do que sobre eventuais fragilidades do registo. Num alinhamento em que praticamente todas as faixas atingem um patamar elevado, colocar uma delas no fundo da tabela é sobretudo uma questão de gosto e de comparação entre igual e igual.
O que torna este debate interessante é justamente a densidade do material em causa. “Reign in Blood” não é conhecido por conter momentos fracos, e é essa consistência que faz com que a discussão em torno da “pior” faixa seja tão apaixonada entre os ouvintes. Aquilo que num outro disco seria facilmente identificado como um ponto baixo, aqui continua a ser um exemplo de execução técnica e de energia bruta ao serviço do género.
Mais de três décadas depois, o álbum mantém intacta a sua reputação e continua a ser citado como marco fundamental para compreender a evolução do metal extremo. As classificações e as listas vão surgindo ao longo dos anos, cada uma com os seus critérios e as suas preferências, mas nenhuma parece abalar o estatuto do trabalho enquanto peça central na discografia dos Slayer.
No fundo, exercícios como o proposto pela Metal Hammer servem sobretudo para reacender a conversa entre fãs e para relembrar por que motivo este disco continua a merecer novas audições. Seja qual for a faixa que fica em último lugar, o consenso mantém-se: “Reign in Blood” permanece uma obra essencial que resistiu à passagem do tempo e que continua a inspirar novas gerações de ouvintes do metal.
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