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Quando partilhar o palco com o Motörhead ou os Slayer se revelava uma missão impossível para os anos 90

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Quando partilhar o palco com o Motörhead ou os Slayer se revelava uma missão impossível para os anos 90
Imagem: Divulgacao/Fonte

No universo do rock e do metal, a ordem das atuações num festival ou concerto partilhado sempre foi motivo de intensas negociações nos bastidores. Gerir egos, dinâmicas de palco e a fasquia da energia deixada pelo artista anterior é uma tarefa delicada para qualquer produtor. Nos anos 1990, uma determinada banda viveu um dilema particular em relação a dois dos nomes mais pesados e barulhentos da história da música: os britânicos Motörhead e os norte-americanos Slayer. O grupo em questão optou por adotar uma regra estrita de que nunca deveria subir ao palco imediatamente após a atuação destas duas referências absolutas do som pesado.

A decisão de evitar atuar após o furacão liderado pelo inconfundível Lemmy Kilmister ou a intensidade demolidora dos thrashers Slayer baseava-se numa constatação realista sobre a recetividade do público. Ambas as bandas criavam uma experiência ao vivo avassaladora, deixando a plateia num estado de exaustão e fervor que tornava praticamente impossível para qualquer sucessor manter o mesmo nível de entusiasmo. Para uma formação daquela década, seguir as pisadas sónicas de monstros sagrados com tamanha potência em palco representava um risco enorme para a dinâmica do espetáculo.

A perspetiva sobre este problema mudou drasticamente após uma conversa direta com o próprio Lemmy. Confrontado com a situação, o lendário vocalista e baixista do Motörhead deu uma resposta pragmática e típica da sua personalidade sem filtros, afirmando essencialmente que a banda tinha toda a razão em recusar tal posição no alinhamento, uma vez que realmente não deveriam tocar a seguir a eles. Longe de ser encarada como uma ofensa, a validação por parte de uma figura central do género serviu para consolidar a estratégia do grupo dos anos 90, confirmando aquilo que a experiência já lhes havia demonstrado.

Para os seguidores do rock e do metal, histórias de bastidores como esta revelam o profundo respeito mútuo que muitas vezes existe entre artistas de diferentes gerações e sonoridades. O reconhecimento tácito de que certas forças da natureza musical são difíceis de suceder em cima de um palco demonstra a autoconsciência necessária no circuito de concertos. A gestão de cartazes e alinhamentos continua a ser uma arte complexa, onde a energia transmitida aos espetadores dita muitas vezes o ritmo da noite. No final, a sabedoria de aceitar as limitações logísticas e artísticas de cada momento acaba por proteger tanto os músicos como a própria experiência do público.

Fonte: Whiplash

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