Quando Noel Gallagher rendeu-se a uma melodia fora do seu universo musical
Conhecido pela defesa intransigente das guitarras, do legado eterno dos Beatles e da pureza do rock and roll com uma convicção quase religiosa, Noel Gallagher moldou a sua carreira e a sua identidade pública em torno de certezas muito firmes sobre o que define a verdadeira música. O músico britânico, outrora principal compositor dos Oasis, raramente demonstra abertura para sonoridades que fujam ao cânone clássico do rock britânico e às estruturas tradicionais de guitarra, baixo e bateria.
Contudo, o percurso de qualquer artista reserva surpresas e momentos de excepção que desafiam as convicções mais enraizadas. Houve uma ocasião específica em que o aclamado compositor se deparou com uma criação totalmente fora do seu registo habitual e, contrariando o seu habitual cepticismo perante géneros musicais alternativos, acabou por experienciar um momento de arrebatamento absoluto. Perante aquela obra, o autor de hymnos geracionais sentiu estar a escutar aquela que considerava ser, naquele preciso momento, a melhor canção de toda a sua vida.
Para os seguidores do universo rock, esta revelação ilustra bem a complexidade do gosto musical de figuras centrais da cultura contemporânea, provando que mesmo os defensores mais acérrimos das tradições eléctricas conseguem render-se à genialidade melódica, independentemente da origem estética. A postura exigente de Noel Gallagher em relação à arte sonora torna este tipo de excepção ainda mais marcante, demonstrando que o impacto genuíno de uma boa composição ultrapassa barreiras estilísticas e consegue surpreender até os críticos mais endurecidos do panorama musical britânico.
Fonte: Whiplash