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Pete Townshend e a autoria do som monumental que conquistou gigantes do rock

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Pete Townshend e a autoria do som monumental que conquistou gigantes do rock
Imagem: Divulgacao/Fonte

A história do rock é feita de momentos de transição, onde bandas inovadoras abrem caminho para novas sonoridades que acabam por redefinir a própria indústria musical. Numa recente reflexão sobre o percurso dos lendários The Who, o guitarrista e principal compositor Pete Townshend partilhou uma perspetiva intrigante sobre a evolução estética do grupo britânico e o impacto que esta teve noutras formações fundamentais da história da música.

Segundo o músico, os The Who acabaram por perder o chamado ‘timing’ comercial e estilístico face ao crescimento avassalador de outras bandas que surgiram na sua esteira, sentindo inclusivamente que o grupo foi, em determinada altura, ultrapassado pelo fenómeno dos Queen. Na visão de Townshend, a sonoridade grandiosa, teatral e de arenas que marcou a ascensão dos britânicos liderados por Freddie Mercury, bem como a escala épica adotada por colossos como os U2 e Bruce Springsteen ao longo das suas carreiras, bebeu diretamente de uma fórmula que ele próprio ajudou a criar e a estruturar no seio do seu próprio catálogo criativo.

Para os seguidores mais atentos dos The Who, esta revelação não constitui surpresa, mas antes a validação de uma influência que moldou o rock de estádio tal como o conhecemos hoje. A capacidade de unir a energia visceral do garage rock com arranjos complexos e uma presença cénica magnânima foi uma bandeira levantada pioneiramente pelos autores de êxitos intemporais. Contudo, enquanto os The Who navegavam por crises internas, mudanças de formação e um processo criativo muitas vezes errático, outras bandas souberam apanhar o testemunho deixado no ar e levá-lo a patamares globais de massas.

A transição de um som focado na contestação juvenil para paisagens sonoras monumentais, aptas para preencher recintos desportivos e festivais de grande dimensão, foi dominada na década de setenta e oitenta por nomes que aperfeiçoaram essa mesma dinâmica. A intensidade dramática que os Queen imprimiram nos seus álbuns, a urgência hímnica que Bruce Springsteen e a E Street Band popularizaram na América, e a grandiosidade atmosférica que os U2 ergueram nos seus concertos encontram ecos evidentes nas sementes que Townshend lançou com a sua guitarra.

Apesar de sentir que a sua própria banda acabou por ser ultrapassada pela vaga que ajudou a despoletar, o legado de Pete Townshend permanece inabalável. A conversa em torno da autoria moral destes grandes hinos do rock demonstra como a música funciona como um organismo vivo, onde a inovação de uns se transforma na matéria-prima essencial para a genialidade de outros, ecoando eternamente nas colunas de todo o mundo a tocar o melhor que o género tem para oferecer.

Fonte: Whiplash

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