Como o timbre de Ace Frehley guiou Marty Friedman numa fase decisiva
A influência de ícones do rock na formação de jovens músicos é um tema recorrente, mas no caso de Marty Friedman, antigo virtuuoso das seis cordas dos Megadeth, o impacto de uma banda específica transcende a simples inspiração instrumental. Para o músico, o universo criado pelos Kiss foi determinante não só para o desenvolvimento técnico e artístico, mas também para moldar rumos fundamentais da sua vida pessoal, especialmente num período particularmente desafiante e marcado por circunstâncias adversas durante uma viagem.
Embora seja amplamente reconhecido pelo seu trabalho inovador no thrash metal ao lado de Dave Mustaine, bem como pela sua carreira bem-sucedida a solo e no Japão, Friedman nunca escondeu a enorme importância que o grupo de Gene Simmons e Paul Stanley teve na sua juventude. Entre os vários elementos que cativaram o futuro guitarrista, o trabalho de Ace Frehley destacou-se de forma muito particular. O estilo inconfundível de Frehley, repleto de energia e com uma abordagem melódica única ao solo de guitarra, funcionou como um verdadeiro farol criativo.
A relação com a música dos Kiss ganhou contornos ainda mais profundos numa altura em que o artista enfrentava momentos de grande incerteza. Durante uma deslocação que se revelou bastante problemática — uma verdadeira viagem que correu mal e gerou instabilidade —, foi precisamente a audição de um solo executado por Ace Frehley que serviu de catalisador para uma mudança radical de perspetiva. A força expressiva daquela interpretaçãoギター (guitarra) proporcionou o clique mental necessário para que Friedman reavaliasse o seu trajeto, encontrando o balanço e a clareza para dar uma volta à sua vida.
Para os seguidores do género, histórias como esta demonstram como a paixão pelo rock and roll e a genialidade de determinados artistas ultrapassam largamente os limites do entretenimento. No percurso de figuras lendárias da guitarra, um simples riff ou solo gravado em vinil pode transformar-se numa bóia de salvação emocional quando as coisas não correm conforme o planeado. A ligação visceral entre o ouvinte e a música mantém-se, assim, como uma das forças mais poderosas do universo do rock, provando que as grandes melodias acompanham os fãs e os próprios criadores nos momentos mais decisivos da sua existência.
Fonte: Whiplash