A década de 90 dos Metallica sob a lupa da Metal Hammer
A famosa revista britânica Metal Hammer voltou a colocar os holofotes sobre uma das fases mais discutidas da discografia dos Metallica, dedicando uma análise profunda aos temas que a banda norte-americana lançou ao longo da década de 1990. Este período na história do grupo ficou marcado por uma transição sonora muito significativa, afastando-se progressivamente do thrash metal mais tradicional e veloz que os consagrou nos anos 80, para abraçar uma sonoridade mais acessível, cadenciada e comercialmente massiva.
A curadoria da publicação especializada gerou inevitavelmente debate entre os fãs do género, sobretudo devido à escolha que coroou a tabela. Contrariando a expetativa geral de que o primeiro lugar pudesse pertencer a um dos hinos incontornáveis do aclamado ‘Black Album’ de 1991 — um disco que mudou para sempre o rumo comercial do heavy metal a nível mundial e continua a dar muito que falar —, a escolha para o topo da lista recaiu sobre um tema do seu sucessor direto, provando que a ousadia criativa da banda continuou a dar frutos na segunda metade dessa década.
A década de noventa foi, afinal, um terreno de exploração sónica intensa para o coletivo liderado por James Hetfield e Lars Ulrich. Com o lançamento do álbum homónimo em 1991, os Metallica conquistaram palcos globais e estádios em digressão contínua, impulsionados por malhas que ainda hoje fazem parte de qualquer emissão de rádio dedicada ao rock e ao metal. Contudo, os anos seguintes trouxeram discos como ‘Load’ e ‘Reload’, que viram a banda cortar o cabelo, adotar um visual mais urbano e incorporar influências do blues e do rock alternativo, gerando divisões profundas entre a comunidade de seguidores mais purista.
Para os apreciadores do legado do grupo, recordar esta década é revisitar um momento em que uma das maiores referências do rock pesado quis redefinir a sua própria identidade artística, arriscando perder adeptos para ganhar nova liberdade criativa. A lista da Metal Hammer serve precisamente para sublinhar a riqueza e a diversidade desse catálogo controverso, mas incontornável, que continua a polarizar opiniões e a entusiasmar gerações de ouvintes.
Fonte: Whiplash