A saída voluntária que marcou a história dos Metallica segundo Lars Ulrich
A dinâmica interna de uma das maiores bandas de sempre do heavy metal global continua a fascinar os seguidores do género, revelando detalhes sobre os bastidores e as complexas relações humanas que moldaram o percurso do grupo ao longo de décadas nos palcos e nos estúdios de gravação. Numa recente partilha de bastidores que chamou a atenção da imprensa musical internacional, o baterista e cofundador Lars Ulrich abordou de forma aberta o controlo rígido que ele próprio e o vocalista e guitarrista James Hetfield sempre exerceram sobre a formação da banda, destacando um episódio singular que quebrou a regra não escrita de que a permanência no grupo dependia exclusivamente da vontade da dupla central.
Segundo revelado pelo músico dinamarquês, a filosofia operacional dos Metallica sempre assentou numa premissa muito clara no que diz respeito à entrada e saída de elementos, criando um ambiente onde a autonomia individual dos restantes músicos era fortemente limitada pela estrutura de poder liderada por Ulrich e Hetfield. Numa confissão que surpreendeu parte dos fãs mais atentos à trajetória da banda, o baterista admitiu que, durante muitos anos, vigorou a mentalidade interna de que um integrante só abandonaria o coletivo caso a dupla principal assim o decidisse e autorizasse, espelhando o forte sentimento de posse e a rigidez com que geriam o projeto discográfico e as digressões mundiais.
Contudo, esta férrea regra conheceu uma exceção notável na história da instituição do thrash metal. Lars Ulrich recordou que houve um momento em que um dos membros conseguiu efetivamente tomar a iniciativa de se afastar por vontade própria, quebrando o padrão habitual de demissões forçadas ou afastamentos decididos pela direção artística do grupo. Este ato de independência gerou, na altura, sentimentos mistos no seio da liderança, com o baterista a admitir abertamente a existência de ressentimento por parte de si próprio e de James Hetfield face a essa descontinuidade voluntária. Para a dupla que sempre comandou os destinos dos criadores de êxitos incontornáveis do rock pesado, ver alguém escolher voluntariamente virar as costas ao projeto representou uma rutura com o rumo traçado e com o controlo absoluto que pretendiam manter sobre a identidade e a estabilidade da formação.
Para os entusiastas do rock e do metal que acompanham a evolução do grupo desde os primórdios na Califórnia, estas declarações ajudam a compreender a forte pressão psicológica e o clima de exigência extrema que marcaram os bastidores de um dos nomes mais bem-sucedidos da história da música moderna. A gestão de egos e a necessidade de manter o alinhamento total entre os músicos foram, afinal, ingredientes fundamentais na receita de longevidade de uma banda que continua a esgotar recintos e a figurar nos principais ecrãs dos festivais de todo o mundo. A revelação de Lars Ulrich serve assim para relembrar que, por detrás dos hinos estridentes que continuam a ecoar nas colunas dos fãs, existiu sempre um universo complexo de regras internas onde a saída pela porta própria foi, durante a maior parte do tempo, uma raridade absoluta.
Fonte: Whiplash