A curiosa ligação entre Megadeth e Metallica que marcou o metal em 1991
O ano de 1991 continua a ser um dos mais importantes da história da música pesada, tendo ficado marcado por lançamentos discográficos que mudaram para sempre o rumo do heavy metal internacional. Recentemente, o músico David Ellefson veio a público recordar uma curiosa coincidência criativa que envolveu duas das maiores referências do género nessa mesma altura: os lendários Megadeth e os norte-americanos Metallica. Em cima da mesa esteve a utilização de um elemento comum em dois temas emblemáticos que viram a luz do dia exatamente no mesmo ano. De acordo com as recordações partilhadas pelo antigo baixista dos Megadeth, tanto a banda liderada por Dave Mustaine como o grupo de James Hetfield e Lars Ulrich acabaram por incluir referências à mesma prece infantil tradicional nos respetivos trabalhos editados em 1991. Trata-se da conhecida oração de deitar anglo-saxónica, frequentemente identificada como “Bedtime Prayer”, cujos versos iniciais dizem “Now I lay me down to sleep…”. Esta coincidente escolha lírica gerou, ao longo das décadas seguintes, inúmeras conversas entre os seguidores mais atentos de ambas as formações. Do lado dos Metallica, a célebre prece foi imortalizada no monumental tema “Enter Sandman”, o avassalador single de antecipação do aclamado “Black Album”, que rapidamente se transformou num hino geracional e num verdadeiro colosso a tocar nas rádios e nos palcos de todo o planeta. Paralelamente, os Megadeth incorporaram elementos espirituais semelhantes na faixa “Go to Hell”, um tema que integrou a banda sonora do filme de terror “Bill & Ted’s Bogus Journey” e que mais tarde encontrou residência no alinhamento do icónico álbum “Countdown to Extinction”, lançado no ano seguinte. Para os admiradores acérrimos do thrash metal, estas convergências criativas servem para ilustrar o espírito da época, demonstrando como duas bandas com raízes comuns e uma rivalidade histórica rica conseguições artísticas paralelas num momento crucial de transição para o rock pesado global. A partilha destas memórias por parte de David Ellefson reforça o fascínio contínuo que os bastidores da criação musical exercem sobre o público, mantendo vivas as discussões sobre os anos dourados do género.
Fonte: Whiplash