Quando o AC/DC se transformou na verdadeira banda sonora da libertação para Tom Morello
Para quem acompanha de perto o percurso de Tom Morello, é sabido que a energia crua e a atitude visceral do rock and roll sempre funcionaram como ferramentas de intervenção e de catarse. O icónico guitarrista dos Rage Against the Machine guarda na memória um episódio muito específico ligado a um dos monstros sagrados da música pesada: os australianos AC/DC. Numa altura em que o músico explorava novos horizontes e procurava inspiração longe das fórmulas mais convencionais, uma simples deslocação acabou por se transformar num daqueles momentos raros que marcam para sempre o rumo de um artista. Não se tratou apenas de um concerto assistido a partir da plateia, mas sim de uma experiência imersiva que culminou numa colaboração e numa actuação conjunta com o grupo, um feito que o próprio instrumentista recorda com orgulho, elevando-o ao estatuto de um dos episódios mais memoráveis de toda a sua carreira nos palcos.
Para a legião de fãs que segue tanto a obra de Morello quanto o legado estrondoso dos criadores de hinos atemporais como ‘Back in Black’, esta ligação reforça a ideia de que o verdadeiro rock and roll não conhece fronteiras geracionais ou estilísticas. A capacidade de unir sensibilidades musicais distintas num mesmo palco demonstra a força transversal deste género musical, que continua a cativar gerações de ouvintes e de criadores de opinião. A revisitação deste episódio por parte do guitarrista serve também para relembrar o impacto duradouro que os grandes nomes do hard rock clássico continuam a exercer sobre músicos de vanguarda, provando que a eletricidade e a urgência das seis cordas mantêm toda a relevância no panorama musical contemporâneo. Os admiradores da boa música têm agora mais um motivo para valorizar estas pontes invisíveis que unem universos sonoros aparentemente díspares, mas unidos pela mesma paixão inabalável pelos acordes distorcidos e pela intensidade ao vivo.
Fonte: Whiplash