Os bastidores intensos e peculiares da criação de um clássico dos Rolling Stones
A história por trás da criação de um dos maiores álbuns duplos da história do rock continua a fascinar os entusiastas do género, revelando detalhes caricatos sobre o período em que a lendária banda britânica se encontrava exilada fiscalmente no sul de França. Durante as sessões de gravação daquele que viria a ser um dos trabalhos mais aclamados do grupo, o ambiente na mansão escolhida para servir de quartel-general era marcado por um anonimato peculiar e por uma dinâmica de trabalho profundamente caótica e absorvente.
Naquela residência sumptuosa situada junto à Riviera Francesa, onde os músicos procuravam refúgio e inspiração longe dos holofotes e das obrigações burocráticas do seu país natal, o quotidiano assumia contornos muito próprios. Os relatos da época indicam que ninguém utilizava apelidos ou sobrenomes no interior daquela habitação, criando um clima de total informalidade e camaradagem entre todos os presentes, fossem eles membros da banda, produtores, técnicos ou amigos que orbitavam em redor do grupo.
Nas profundezas daquela vivenda, mais especificamente num porão húmido e pouco convencional, os Rolling Stones passavam horas infindas a moldar as faixas que comporiam o alinhamento da obra discográfica. Aquele espaço subterrâneo, transformado à pressa num estúdio improvisado, foi o epicentro criativo onde o som visceral e cru da banda ganhou nova vida, alimentado pela urgência do momento e pelo talento inegável de músicos no topo da sua forma artística.
O resultado desse período intenso de trabalho culminou na edição de um registo duplo memorável, lançado originalmente no mês de maio de 1972. Para os seguidores acérrimos do rock and roll, esta fase da carreira do grupo britânico representa a quintessência do excesso, da genialidade e da capacidade de superação criativa em circunstâncias adversas. O álbum em questão consolidou o estatuto dos Rolling Stones como uma das forças mais incontornáveis da música contemporânea, ecoando até aos dias de hoje como um marco histórico na discografia da banda.
Fonte: Whiplash