James Hetfield reflete sobre a difícil integração de Jason Newsted nos Metallica
A história dos Metallica está repleta de momentos marcantes, mas poucos capítulos geram tanta discussão entre os entusiastas do metal como a entrada de Jason Newsted para o lugar de baixista. Anos após a tempestade que abalou os bastidores de uma das maiores bandas do planeta, o vocalista e guitarrista James Hetfield veio a público reconhecer que o grupo cometeu um erro grave na forma como lidou com a integração do músico após a trágica morte de Cliff Burton em 1986.
Para os fãs que acompanham a trajetória do quarteto de São Francisco, a transição nunca foi pacífica. Newsted entrou numa formação que estava desesperadamente à procura de um baixista para continuar a dar concertos e gravar, mas a verdade nua e crua é que os restantes elementos ainda não estavam psicologicamente preparados para aceitar alguém a ocupar aquele lugar específico. Burton era muito mais do que um instrumentista brilhante; era um pilar criativo e emocional insubstituível. Consequentemente, o recém-chegado acabou por carregar o peso de um luto coletivo que não era dele, mas que recaiu sobre os seus ombros de forma injusta e prematura.
Nas suas recentes reflexões sobre o passado, o frontman admitiu abertamente que a banda não soube gerir a dor nem acolher o novo colega como devia. Em vez de encontrarem apoio total nos seus pares, Newsted enfrentou anos de frieza e barreiras invisíveis dentro do próprio grupo, um ambiente que hoje é visto com arrependimento pelos fundadores. Para o público e seguidores fiéis do heavy metal, esta revelação apenas confirma aquilo que já se suspeitava ao ver imagens e atuações daquela época dourada, mas agridoce.
Apesar de todas as dificuldades, Jason Newsted permaneceu na formação durante mais de uma década, deixando a sua marca indelével em discos fundamentais e numa digressão mundial massiva, antes de abandonar definitivamente o barco no início dos anos 2000. O reconhecimento público destes erros por parte de Hetfield serve agora para sarar velhas feridas e reescrever a narrativa de um período crucial, demonstrando que até os gigantes da música mais pesada demoram tempo a processar as suas próprias cicatrizes e a fazer justiça a quem esteve na trincheira com eles.
Fonte: Whiplash