Brian May e a fórmula do pop perfeito segundo o guitarrista dos Queen
Quando se fala de Brian May, o pensamento vai quase sempre para os solos monumentais e para a assinatura sonora que ajudou a definir os Queen ao longo de décadas. Por isso, pode surpreender que o guitarrista aponte, como exemplo de pop bem conseguido, uma canção que se afasta do peso habitual associado ao rock mais robusto.
Segundo o que foi noticiado, May destaca um tema de uma banda clássica de rock que, na sua perspetiva, representa aquilo que uma canção popular deve ser. O elogio ganha ainda mais relevância por partir de um músico normalmente ligado à grandiosidade e à complexidade das composições dos Queen, formação que sempre soube equilibrar experimentação e apelo imediato junto do grande público.
O ponto central da apreciação de May reside precisamente nesse equilíbrio. Para o guitarrista, a canção em causa consegue reunir a acessibilidade e a imediatez próprias do pop sem, por isso, perder a força e a energia que caracterizam o rock. É essa combinação — melodia que agarra o ouvinte à primeira e uma intensidade que não se dilui — que o leva a considerá-la um exemplo praticamente perfeito do género.
A reflexão diz muito sobre a forma como o próprio May encara a música. Longe de olhar o pop com desdém, o guitarrista parece valorizar a arte de escrever uma canção que funciona de forma direta, que comunica com quem a ouve e que, apesar da simplicidade aparente, guarda uma robustez sonora que a torna memorável. Não é por acaso que os Queen construíram parte do seu legado sobre temas que atravessaram gerações e continuam a tocar em rádios de todo o mundo.
Este tipo de comentário reforça a ideia de que as fronteiras entre pop e rock são bem mais ténues do que muitas vezes se assume. Grandes nomes do rock reconhecem frequentemente que uma boa canção pop exige tanto ofício quanto uma peça mais pesada, e May insere-se claramente nessa linha de pensamento. Para um músico que passou boa parte da vida a explorar as possibilidades da guitarra elétrica, admitir que a essência de uma canção pode residir na sua eficácia melódica é um sinal de maturidade artística.
Mais do que uma simples preferência pessoal, a escolha de Brian May funciona como uma pequena lição sobre o que faz uma canção resistir ao tempo. A força do rock aliada à clareza do pop resulta, para o guitarrista, na receita ideal — uma fórmula que ele próprio ajudou a levar aos palcos e aos ecrãs durante toda a carreira dos Queen.
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